Carteira de Altcoins: Como Montar?

Criptomoedas

Como montar a sua carteira de altcoins? Com a recente alta do mercado e o consequente FOMO que sempre segue momentos como este, é comum que investidores busquem um risco a mais e se aventurarem nas altcoins.

O texto de hoje serve para auxiliar este perfil de investidor a fazer boas escolhas na construção de uma carteira de altcoins.

Entretanto, é preciso começar com alguns avisos.

O primeiro é que cada pessoa possui seu próprio apetite ao risco. Na nossa estratégia da Mercurius, por exemplo, alocamos boa parte da carteira em BTC e ETH — os dois ativos do mercado com a melhor relação entre risco e retorno, na nossa visão.

Esta alocação mitiga o que chamamos de risco de ruína, de perder uma quantidade relevante de capital por conta do investimento em ativos demasiadamente arriscados.

Mas sabemos que nem todo investidor possui esta visão mais conservadora — temos, no mercado, os “degenerados”, que possuem um perfil de risco completamente diferente.

Por isso, a intenção é escrever para estas pessoas, mostrando ser possível arriscar nos investimentos em cripto de forma prudente, que evita cenários em que você perca todo seu dinheiro.

Carteira de Altcoins

Se aventurar com uma carteira de altcoins envolve ter uma estratégia de rebalanceamento, gestão de risco e estar atento aos ciclos de mercado.

Como podemos observar no gráfico abaixo, de um estudo feito pela K33, a alocação a esmo em altcoins, investindo com apenas o critério de capitalização de mercado, por exemplo, é significativamente menos rentável ao longo do tempo do que simplesmente comprar BTC.


Carteira do top 100 vs. Bitcoin
Fonte: K33

Este é um reflexo da falta de maturidade do mercado cripto, que ainda possui muitos projetos sem valor com uma alta capitalização de mercado e também muitos investidores que compram apenas narrativas.

Fica muito claro, então, que uma estratégia focada em altcoins precisa ser bem pensada e com um rebalanceamento inteligente, para que você não deixe dinheiro na mesa.

Para montar esta estratégia, temos dois pilares fundamentais:

  • Encontrar os melhores criptoativos; e
  • Diversificar sua carteira,

Encontrar os melhores criptoativos

Para o primeiro pilar, é preciso entendermos quais são as características que buscamos em ativos. Ou seja, o que o protocolo precisa ter para julgarmos que seria um bom investimento?

Na Mercurius, temos uma filosofia de investimento que nos leva a acreditar que os melhores criptoativos possuem um conjunto de duas características: narrativa forte e fundamentos de longo prazo.

A narrativa forte é o mercado estar olhando para aquele setor, para aquele ecossistema em que o protocolo está inserido. Isso é importante poque o mercado cripto é formado por ciclos, que historicamente se comportam em formato de narrativas e os tokens que se valorizam mais em cada ciclo são aquelas que estão inseridas nesta narrativa — o setor que está no holofote no momento.

Um exemplo emblemático foi o DeFi Summer em 2020, momento no qual diversos tokens do setor DeFi deslancharam devido à narrativa que dominava o mercado na época.

Por isso, é fundamental estar atento às narrativas do mercado, por ser dali que sairão as melhores oportunidades de investimento — claro, para o curto-médio prazo.

Uma carteira de altcoins busca principalmente assimetrias muito grandes no mercado, então seria bastante perigoso para a sua rentabilidade ficar preso em narrativas de natais passados e perder o bonde da narrativa do próximo ciclo.

Mas este é apenas o primeiro crivo. Após descobrir qual é a narrativa atual do mercado, é preciso discernir quais ativos efetivamente comprar deste setor, para maximizar suas probabilidades de ganho.

Mercado Irracional

É claro que o mercado cripto sendo extremamente irracional, os ativos podem subir sem motivos concretos, apenas pela especulação. Entretanto, na Mercurius não gostamos de depender puramente do destino, então desenvolvemos um método de análise, para encontrarmos fundamentos de longo prazo nos ativos.

Em nossas análises, sempre analisamos os 4 pilares dos protocolos:

  • Modelo de negócios: um bom modelo de negócios possui casos de uso claros, vantagens competitivas sustentáveis, e modelo de geração de receita constante.
  • Tokenomics: um bom tokenomics possui modelo de distribuição da receita gerada, e política monetária favorável à valorização do token.
  • Governança: uma boa governança envolve equipes qualificadas, histórico consistente de entregas, e times com capacidade de inovação tecnológica.
  • Segurança: um protocolo seguro é aquele com histórico grande de desenvolvimento, códigos auditados, e que passaram bem por testes de estresse.

Não existe protocolo perfeito, que seja absolutamente bom em todas as particularidades de cada um dos pilares.

Mas sabemos que alguns projetos são melhores do que outros, e é aí que acontece o pulo do gato: investir mais capital nos ativos com uma narrativa mais forte e que, ao mesmo tempo, possuem mais qualidades nos 4 pilares.

Diversificar sua carteira de altcoins

O segundo pilar é importantíssimo quando se trata de carteiras de altcoins.

No mesmo estudo da K33 citado anteriormente, foi mostrado que quando acompanhamos por períodos prolongados os 100 maiores ativos do mercado, a situação não é das melhores para as altcoins.


Retorno das altcoins por categoria
Fonte: K33

Dos 1.000 ativos que passaram pelo estudo, mais de 70% simplesmente morreram — são protocolos inativos, hoje em dia —, 20% tiveram retornos negativos, 7,6% tiveram retornos positivos e apenas 1,6% tiveram retornos acima de 50x.

Se você possui uma carteira de altcoins, é de fundamental importância maximizar a probabilidade de encontrar os ativos que terão retorno positivo e, além disso, encontrar este 1% que terá retornos de 50x — mesmo porque o risco que você está correndo precisa gerar retornos na mesma proporção.

Sendo assim, concentrar seu capital em poucas altcoins te deixa mais propenso ao risco de ter escolhido os ativos errados, que não terão o desempenho esperado.

Por isso, não coloque todos seus ovos em apenas um cesto. O famoso “all-in” não é, nem de longe, a melhor estratégia para uma carteira de altcoins.

Faça diversificação entre os setores de cripto, entre as narrativas vigentes no mercado. Por exemplo, invista em plataformas de segunda camadas, mas também invista em protocolos de Liquid Staking e de jogos em blockchain.

Mas dentro de cada uma dessas narrativas, diversifique também seu capital. Por exemplo, em plataformas de segunda camada não coloque todo seu capital apenas em Starkware ou em Optimism: não necessariamente você saberá qual é o protocolo vencedor daquele setor.

Mandamentos da carteira de altcoins

Para deixar tudo mais claro e consolidado, criamos um manual de bolso para te ajudar na jornada das altcoins:

  1. Saiba que investir em altcoins é extremamente arriscado;
  2. Procure altcoins com narrativas fortes e fundamentos de longo prazo;
  3. Saiba avaliar as métricas chave do mercado;
  4. Diversifique entre pelo menos 10 altcoins;
  5. Diversifique entre setores.

Com essas dicas, certamente você conseguirá montar uma carteira mais equilibrada de altcoins.